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Dúvidas sobre saúde no trabalho

Doença ocupacional: estabilidade e CAT, as duas dúvidas em uma tabela

Doença ocupacional e estabilidade têm regras próprias. A CAT deve ser emitida sempre que há doença ligada ao trabalho, com ou sem afastamento. Já a estabilidade de 12 meses depende de afastamento acima de 15 dias com benefício acidentário do INSS, ou de a ligação com o trabalho ser comprovada depois da demissão. A tabela deste guia mostra as duas respostas em cada situação.

Pedir orientação sobre minha estabilidade após o INSS · Na maioria dos casos, a análise inicial não tem custo.

As duas respostas em uma tabela: CAT e estabilidade

CAT e estabilidade são duas coisas diferentes, que costumam ser confundidas. A CAT é um registro; a estabilidade é uma proteção no emprego. A tabela mostra as duas em cada situação. No celular, arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

CAT e estabilidade na doença ocupacional, situação por situação
SituaçãoCATEstabilidade de 12 meses
Diagnóstico sem afastamentoDeve ser emitidaEm regra, não
Afastamento de até 15 diasDeve ser emitidaEm regra, não
Afastamento acima de 15 dias, benefício acidentárioDeve ser emitidaSim, depois da alta
Afastamento acima de 15 dias, benefício comumDeve ser emitidaPode ser discutida na Justiça
Doença ligada ao trabalho descoberta depois da demissãoPode ser emitidaPode ser reconhecida
Doença sem ligação com o trabalhoNão se aplicaNão

Na linha do benefício comum, a ligação com o trabalho pode ser mostrada por perícia judicial, mesmo que o INSS não tenha reconhecido.

Se o seu caso está numa das linhas com "sim" ou "pode", a página do advogado de doença ocupacional explica os outros direitos que vêm junto.

A CAT na doença ocupacional

Muita gente acha que a CAT é só para acidentes. Não é: a lei manda comunicar também a doença ligada ao trabalho. A obrigação é da empresa, assim que ela sabe do problema.

Se a empresa não emitir, a CAT pode ser feita por você, pela família, pelo sindicato ou pelo médico, no Meu INSS. Ela não depende de afastamento: mesmo um diagnóstico sem afastamento pode ser comunicado.

O efeito mais importante da CAT é ajudar o INSS a conceder o benefício na espécie acidentária, que mantém o FGTS e abre a estabilidade.

Qual é a "data" de uma doença ocupacional

Diferente do acidente, a doença não acontece num dia certo. A lei resolve isso com uma regra: considera-se a data do início da incapacidade para o trabalho ou a do diagnóstico, a que vier primeiro.

Na prática, costuma ser o dia do primeiro afastamento ligado à doença ou o dia do exame que fechou o diagnóstico. É essa data que vai na CAT.

Os requisitos da estabilidade na doença ocupacional

A estabilidade acidentária vale para a doença ocupacional com os mesmos requisitos do acidente. São dois, como regra geral.

  1. Afastamento acima de 15 dias

    A doença precisa ter afastado você por mais de 15 dias, chegando ao INSS.

  2. Benefício acidentário

    O INSS precisa ter concedido o benefício como doença do trabalho, e não como doença comum.

Preenchidos os dois, os 12 meses começam na alta do INSS. Nesse período, a dispensa sem justa causa é irregular.

Doença descoberta depois da demissão

É uma situação comum: a pessoa é dispensada e, semanas depois, recebe o diagnóstico de uma doença que vinha se desenvolvendo no trabalho. A lei e o TST protegem esse caso.

Se a perícia confirmar que a doença tem ligação com o trabalho e já existia no contrato, a estabilidade pode ser reconhecida mesmo sem afastamento antes da demissão. O pedido pode ser de volta ao emprego, se ainda houver tempo, ou de indenização do período.

Quando não há estabilidade, mas ainda há proteção

Sem os requisitos da estabilidade, a empresa pode dispensar sem justa causa. Mas ela não pode dispensar por discriminação.

O TST presume discriminatória a dispensa de quem tem doença grave que causa estigma ou preconceito. Nesses casos, a dispensa pode ser anulada, com volta ao emprego ou indenização, além de dano moral.

Também continuam possíveis a indenização pela doença, se a empresa contribuiu para ela, e os gastos com o tratamento.

Dois exemplos para comparar

Os exemplos são hipotéticos. Pedro, motorista de caminhão, teve hérnia de disco, ficou 90 dias afastado com benefício acidentário e voltou em março. Ele tem estabilidade até março do ano seguinte, e uma dispensa sem justa causa nesse intervalo pode ser revertida.

Sônia, costureira, tinha dor nos punhos e foi dispensada sem nunca ter se afastado. Dois meses depois, o diagnóstico de LER saiu. Se a perícia ligar a doença ao trabalho e mostrar que ela já existia no contrato, a estabilidade pode ser reconhecida, mesmo sem o afastamento.

Erros que fazem perder a estabilidade na doença ocupacional

A estabilidade depende de detalhes do afastamento. Estes são os descuidos que mais a colocam em risco.

Aceitar o benefício comum sem questionar

Quando o INSS concede o benefício como doença comum, a estabilidade não aparece automaticamente. Peça a revisão no INSS e guarde os papéis para discutir na Justiça, se for o caso.

Voltar antes da alta

Retornar ao trabalho antes do fim do benefício pode confundir a contagem e prejudicar o tratamento. Siga a alta do INSS e o exame de retorno da empresa.

Assinar pedido de demissão na volta

Sob pressão, alguns trabalhadores pedem demissão durante os 12 meses. Esse pedido pode tirar a estabilidade, e só tem segurança com a assistência do sindicato.

Não emitir a CAT

Sem a CAT, fica mais difícil o INSS reconhecer a ligação com o trabalho. Se a empresa não emitir, emita você mesmo pelo Meu INSS.

Quando procurar um advogado

Vale procurar quando você foi dispensado doente, quando o INSS deu benefício comum para uma doença que parece do trabalho ou quando a empresa não emitiu a CAT.

Esses casos costumam ter perícia e audiência. Veja como é a audiência na Vara do Trabalho, que pode ser feita por vídeo.

Na análise, o Dr. Paulo encaixa o seu caso na tabela, explica se há estabilidade e o que mais pode ser pedido.

Pedir orientação sobre minha estabilidade após o INSS: o Dr. Paulo analisa o seu caso, no escritório de Vitória da Conquista ou online, e explica os próximos passos.

Perguntas frequentes

Quem emite a CAT de doença ocupacional?

A empresa, assim que sabe da doença ligada ao trabalho. Se ela não emitir, você, a família, o sindicato ou o médico podem emitir pelo Meu INSS.

Fiquei afastado pelo INSS por doença comum, mas acho que é do trabalho. E agora?

A ligação com o trabalho pode ser discutida no INSS e também na Justiça do Trabalho, com perícia. Reconhecida, os efeitos de doença ocupacional podem ser aplicados.

A estabilidade de 12 meses começa quando?

No dia seguinte ao fim do benefício acidentário, ou seja, na alta do INSS.

Posso ser demitido durante o tratamento sem afastamento?

Sem afastamento acidentário, em regra não há estabilidade. Mas, se a dispensa foi por causa da doença, ela pode ser discriminatória, e isso é analisado no caso.

Doença ocupacional dá FGTS no afastamento?

Dá. No afastamento por doença ocupacional reconhecida, a empresa continua depositando o FGTS durante o período do benefício.

Retrato de Paulo Soares, advogado trabalhista em Vitória da Conquista

Quem escreveu este guia

Paulo Soares, advogado trabalhista

Paulo Soares é advogado trabalhista, inscrito na OAB/BA sob o número 85301, formado em Direito pela FAINOR e pós-graduado em Carreira Trabalhista pela Faculdade Focus.

Paulo Soares Advogado Trabalhista é o escritório do advogado Paulo Soares (OAB/BA 85301), especialista em direito do trabalho, área em que atua de forma prioritária. Atende trabalhadores e empresas presencialmente em Vitória da Conquista (BA) e online em todo o Brasil.

Este guia foi escrito e revisado por ele. Ele explica a regra geral; o seu caso precisa de análise individual.

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